sexta-feira, 21 de novembro de 2008
três
... procuro um milagre ou um penhasco na falha do cimento, onde eu possa mergulhar e encontrar meu amigo, que foi morar numa caverna, uma trilha com pingos de sangue evidenciam a noite violenta, com essa onda do crack ninguém está mais seguro, a saudade é uma magoa ,dificilmente consegue-se ser positivo o tempo todo, as vezes é só carcaça e dor, mas deve ser assim as vezes, desvendar o aprendizado, nenhuma parte desse mundo parece feliz para mim, uma nova impressão seria aconselhável então...quantos drinks você bebeu ontem a noite antes da despedida com alguém, penso em ligar, mandar recado no orkut, mas acho tão cafona esses relacionamentos virtualmente abertos, parece um daqueles programas sensacionalistas onde todo mundo sabe a vida de todo mundo, a luz do sol ainda está muito alta para procurar uma festa, e até anoitecer eu vou penar no feriado, de um lado para o outro, internet o tempo inteiro enche o saco, ouvi todas minhas musicas do mp3 e continuo caminhando, sem enxergar direção, preciso preservar minha espécie, lagarto no asfalto, fugirei antes que atirem-me tijolos, corro pra dentro de algum esgoto.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
realismo fantástico
... doce, e sua fragrância laranja está em expansão pelo quarto, as cobertas macias e frias em sua superfície, reconheço a matiz da luz pelas persianas, deve ser cedo ainda, não sei quanto tempo dormi, não sei como cheguei, não lembro a cara de quem está ao meu lado, não sei como é a cozinha, não sei como é a sala, sei apenas como é o quarto... médio, branco, espelho frente a os pés da cama ( grande ), penteadeira ( acho que ainda se usa essa expressão ), guarda-roupa com a porta do meio aberta, algumas caixas de sapato pelo chão, duas ou três... pela janela entra um barulho de carros passando lá embaixo, suas costas são bonitas, ombros, pescoço, tudo bem desenhado, uma tatuagem comum na nuca, deslizo pelo lado da cama, carpete, ainda bem... tiro o peso dos meus pés, vou até o outro lado da cama, e fico buscando as lembranças da noite, enquanto miro o rosto de uma desconhecida, tenho a impressão que nasci para amar somente estranhos, tudo acaba quase sempre quando conheço as pessoas, pode parecer pretensão ou que eu esteja indo aos lugares errados, sei lá, não gosto muito de pensar nisso, o meu peito queima e entristece, levanto, vou até o banheiro que fica no quarto, belos azulejos antigos, tudo limpo, calcinha no box, bom! pelos indícios ela parece uma mulher normal, escova rosa, o frasco de perfume com nome estranho e cheiro agradável... lembrei, Helena, cocaína, cerveja, destilados, bairro bomfim , música alta, festa rock, público “GLS”,putz! pelo nosso inicio de história já começo a perder o afeto... se isso fosse uma casa eu saia pela janela, mas quando passo pelo estreito corredor com um pôster dos Stones na parede, abro a porta e olho para o lado de fora, descubro o quinto andar de um prédio,tudo o que posso fazer agora... esperar ela acordar, dar bom dia, pedir que pra abrir a porta, dizer que ligo mais tarde, e com a desculpa que estou atrasado para um almoço com a família,sair e sumir sem perder as esperanças de que o amor aconteça com outra pessoa, sou mais uma vez eu, desafiando os relógios de mais um domingo, sabendo que não terei alegria do seriado dos “Os Trapalhões” ao anoitecer, somente a fantástica mesmice aguardando a segunda-feira.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
rua do amor
... vejo fios dourados cheirando a novidade, ela usou palavras fortes demais, até pra mim que estou acostumado a receber péssimas noticias, caminho como quem está dopado, imerso sob prédios e semáforos, mantendo a calma de um bom perdedor, se ela me visse saberia que, estou me esforçando pra manter as aparências, querida creio que não tenha entendido, não era pra ter misturado-me a seus problemas, era apenas para sermos felizes, não vou mais olhar pra lua, nem atender os pedidos da noite, tranqüilo, cedo ao calor do dia escorrendo pela minha testa, pombas, catarros, velhos navios desfilam numa maré seca, sapatos, tênis, pés descalços, um homem pela metade caminha com as mãos, sorvete, churros, pipoca, que merda de cidade não tem lixeiras, tudo está espalhado pelo chão, como as idéias da maioria dessas pessoas que andam espremidas,ombro contra ombro, dentro de seus horários marcados, formando um corpo chamado multidão, numa terça-feira, eles passeiam com a rotina de seus dias, embrulhada e segura embaixo do sovaco, na sua felicidade estancada pela vidraça das vitrines, são seis e quarenta e dois, o comércio está prestes a fechar, mas sempre terá algo a ser vendido, corações, sentimentos, valores...quando penso nisso tudo,e vejo a lua má refletida no retrovisor do táxi, sinto que estou diminuindo a distância da estrada que leva a mim mesmo, sinto o guarda-chuva molhar minha coxa, e o luminoso de um outdoor evidencia a estética estática...é benzinho, poderíamos ter salvo o mundo, ou pelo menos voltar juntos pra casa.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
le premier bonheur du jour
... mas sempre estou alguma coisa, ciganos não dizem adeus, é debaixo da pele que guardo o verão, resfrio-me no frio da estação, o jazz de divinas notas contorcidas e ritmo esquizofrênico, meus passos enganam meus pés, como vim parar ao lado das suas botas vermelhas, a pouco tempo atrás tentava viajar naquela nuvem azul, andando em linha reta, menos um dia, mais um lugar pra nós dois descansarmos, quanto menos pessoas melhor, quanto menos barulho melhor, retirados das pistas de dança, pegaremos filmes de grandes diretores, mesmo com pouca luz essa noite será bem melhor, quando o amanhã chegar, encontrará nossas falsas peles aquecendo o chão, meu coração de leão só atende sua voz felina. Brinquedos de plástico estão perdidos pelo parque, vamos procurar também, mendigos sonham, um louco canta, tem uma porção de mim voando, outra rolando pelo chão, sua presença me sustenta, a luz do dia lhe deixa ainda mais linda, quase uma alucinação, ouço o pássaro que passeia pela grama, e o doce movimento do céu, até a noite chegar será assim, o sono tem sotaque francês, ele buscou minhas idéias ontem, mas a louça não sabe o caminho da pia, giro,giro, e volto a estar com você, quanta carne sua existe em meus pensamentos, comprei um óculos pra não queimar meus olhos na poluição da cidade, mesmo assim eu não uso, prefiro manter as pupilas alertas, minha primeira alegria venha me visitar algum dia desses, e não se zangue com minha demora, se isso lhe importa, se isso lhe importa, derreta pela última vez comigo, tudo o que escrevo é muito simples, comparado aquilo que não consigo dizer, palavras são símbolos , você as decifra ou elas decifram você, é realmente um processo tão encantador, quanto seu corpo que é um vôo dentro, e fora de minhas mãos, no repouso da fuga o medo da dor, acabamos sendo outros e não nós mesmos.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
pesadelos a flor da pele ou noite de verão
meia-noite e vinte e sete...
... e o sono não vem, tento não lembrar dos pesadelos, sob os lençóis regressões de um menino muito fechado, talvez a chave tenha sido perdida, e não haja mais ninguém jogando limpo, porém, peixes não são dóceis, escapam fácil, muito, muito fácil, engolindo anzóis, sigo contra a maré, no fundo do oceano a sereia e todos seus marujos, sobraram apenas os esqueletos, corais se formam no ossos e atraem novos pescadores, ela acordou-me com seu canto suicida ontem de madrugada, não havia ninguém pra fechar meus olhos depois, fiquei confuso, o incenso ainda aceso afastava os maus espíritos, enquanto o passado enfiava suas mãos geladas por dentro da minha camisa, problemas, problemas, existem histórias que gostaria de cantar, meus cabelos ainda não seacram, estou perdido no tempo-espaço, o sol tem estado muito fraco, raquítico, semana passada ele alimentou a terra tão pouco, observei que você não lembrava o que tinha me dito, apenas tomava seus comprimidos, só consigo ler seus lábios em braile, fique longe dos problemas, estou me despedindo, esse foi o último pesadelo que tive contigo, minha amiga disse que posso aparecer a qualquer hora do dia ou da noite, ela terá uma vela pra clarear meu caminho, reze toda vez que acontecer isso, seu amor me quer por perto, sempre há um perdão novo saindo de sua goela, seus toques sempre são espertos, ela me disse pra eu não me apegar a nada que seja feito de concreto, e pra não ter dividas com meu coração, em outro momento alguém que já me abandonou, estende sua mão, eu ainda tenho medo, eu ainda tenho medo, seus dedos podem me soltar novamente, ela escolhe todos e ninguém recusa sua companhia, viciante como heroína, vou manter meus braços de ouro afastado de seu corpo, tenho nadado, tenho seguido, tenho estado, nascido e morrido, mas não tenho pertencido a mais ninguém que me ofereça apenas metade dos seus sentidos, nem mesmo amigos, são uma e quatro da madrugada e ainda estou acordado por causa disso.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Joana Blue
abaixo da cruz seu colo não me parece pecado...
...assemelha-se muito mais a um paraíso encantado, acima da cruz seus olhos de tão fortes parecem que me vêem, como ontem me viram, como ontem eu os vi cintilantes mesmo no escuro, enquanto somávamos palavras, bocas e energia, e os segundos passavam desesperadamente rumo ao final das horas. No movimento dos carros, na translação dos astros, nas ruas desertas de domingo, na luz amarela dos postes, no vento frio da noite, em tudo havia um querer não acontecer, um querer não passar, um querer ficar por ali, dentro do seu carro, ao seu lado, eu quis permanecer, e seguir lhe descobrindo com minhas mãos e devorando seus lábios. Ontem a noite, não houve escuridão em mim que resistisse ao brilho celeste da sua vinda, e tem sido assim toda vez que sua alma conduz seu corpo até minha frente, ou quando sua força se projeta dentro de mim, milhares de imagens bem melhores, bem maiores que meus pensamentos, invadem meus momentos. Sinto-me frágil, indefeso, porém, extremamente forte entre seus braços, e cada vez que seu suspiro cruza meu ouvido, esqueço das leis da física e vôo no céu da sua boca , só então compreendo e passo a acreditar no milagre dos seus lindos e imensos olhos azuis, minha linda Joana Blue.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
pra te deixar com um sorriso no canto da boca
tenho escrito compulsivamente...
...tentando livrar-me de meus próprios pensamentos, talvez reencontrá-los de uma forma estática presos ao papel, de alguma maneira me conforte, me liberte, pois sei que o entendimento alheio vai desgastar as palavras, corroer a idéia central, julgar o personagem, até esquecer das coisas sem sentido que aparentemente escrevo, mas no meio desse realismo fantástico estão minhas vísceras expostas, minha alma explicita, fico assim, distraindo o tempo, hipnotizado pelo som da chuva, lembrando do sol que essa semana fez visita de médico, com sua boca ainda queimando na minha, feito bebida forte, seu corpo retorcido feito nota solta de jazz, fechada nas palmas de minha mão, isso é fantástico, ou seria realismo, não tem problema eu só escrevo pra me livrar dessa maldição de eternizar os dias pra novamente esquecê-los, meus textos são um arranhão de lobisomem, alguns estraçalham sua garganta, outros lembram o lado humano e tornam-se aberrações inofensivas, como uma canção francesa que de tanto amor chega a desfigurar-se, jurando sua devoção no leito do último suspiro, um amor brega, igual ao do fronha ( um sujeito que morava perto da minha casa ) por aquela puta gorda e feia, nossa!, vai entender o que leva alguém a amar outro alguém tanto assim, ainda mais sendo um alguém como ela, puta gorda e feia, enfim, ele tomou um litro de whisky "vagabundo", subiu no banquinho e pulou com a corda no pescoço, o fronha amava mais a puta gorda e feia, mais do que a si, mais do que a filha dele, não que putas gordas e feias não devam ser amadas, só acho que ninguém deve morrer por amor, deve-se viver por amor, isso é realismo, ou isso é fantástico, e no copo que ele bebeu com a morte as moscas não pousaram, porém o corpo dele foi encontrado sete dias depois, putrefato, com a língua arrastando no chão, roxo, rosa, grená e branco decomposição, essas eram as cores que vibravam nele, eu fotografei na memória, fotografei as veias, os vasos capilares capilares espalmadas sob a pele dele, e as hemorragias ainda coagulavam, ele ainda estava quente, vivo, apenas apodrecendo, esqueceu de acordar, de levantar, de deitar, de dormir, de sofrer, de sorrir, fez com que tudo parasse, agora, sua alma é feita de morfina, sem precisar pagar para ver, sem precisar pagar para fazer, sem precisar pagar para entrar, sair sem ser visto, seu espectro ainda persegue e ama aquela puta gorda e feia, entendeu por que te prendo no labirinto do realismo fantástico, é só pra dizer que se ele continuou amando mesmo depois de morrer, então por que ele não continuou vivendo, afinal, eu poderia lhe apresentar putas bem melhores para se amar.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
renascença
e tudo se desfaz...
...como uma saudade de alguém que nunca voltará, será inesquecível, numa tarde de domingo, uma nuvem de chuva levando embora até a amizade, junto à poesia que evapora dos depoimentos. O acaso permitirá um dia, quem sabe, que eu nunca mais lhe ache, que eu nunca mais lhe procure, que você nunca mais procure-me, deixando calar, deixando envelhecer, deixando-me longe da sua companhia enganosa, o esquema é esse mesmo, feri-se antes, antecipando a dor de uma das partes, por pura vaidade é mais cômodo ser covarde, diria devendra banhart: - noah é um cowboy, mas quase ninguém sabe.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
carta pra Deus
Senhor, não sei quantas vezes discutimos o assunto, porém...
...acho que essa carta seria uma maneira formal e educada de colocar as coisas em ordem, como bem sabe o Senhor, não foram poucas as vezes que dividi-me entre bocas e sexo de desconhecidas, no intuito de compreender e experimentar sentimentos que beiravam a esquizofrenia, também não foram poucas as vezes nas quais feri pessoas nessa ânsia pessoal que tenho de que as coisas se resolvam o mais rápido possível, mas o imediatismo foi algo que aprendi a controlar com o passar dos anos, assim como o uso abusivo das drogas, hoje sinto-me mais sábio, mesmo com todo o sofrimento que passei em nenhum momento deixei me abater ou desistir, a vida não perdoa os fracos, tudo acontece muito rápido, enfim, na medida com que os astros se movimentam, as noites me encerram, e as manhãs me despertam, rompem-se cicatrizes a cada segundo, descontando minha alegria no acréscimo da dor. Senhor, estou cansado das drogas, estou cansado dos amáveis momentos vazios, cansado da minha cara lavada na frente do espelho, cansado da masturbação a dois, cansado de gozar sozinho dentro de ventres ocos e úmidos, cansado do meu pau murcho e do meu coração vazio depois da transa, cansado de comemorar cada vitória com uma mulher diferente, eu, que nasci poeta e nunca paguei um centavo por buceta nenhuma, sinto-me tristemente rodeado de putas, viciadas em desprezo, talvez Nelson Rodrigues estivesse certo quando disse que, o amor mais barato é o pago. Tento me encaixar nas regras podres desse mundo, tento as reinventar mais simples e puras, e assim a cada hora morre o Luís depravado de antigamente, e nasce um homem novo, que não crê em coisas eternas, que não tem medo do escuro, que reza, que ama tudo profundamente, na medida em que esse Luís ascende, o meu lado mal se apaga, mas o Luís que se ascende parece não caber nesse mundo, parece fadado ao ridículo sentimento de ver bondade nas pessoas, de querer alguém por perto, alguém no qual se pode confiar, alguém pra amar sem apegos, alguém que ligue pra perguntar se o dia de trabalho foi duro, alguém que pergunte se senti sua falta, alguém que sinta minha ausência também, alguém pra fazer amor e sentir-se feliz depois e não culpado, alguém pra queimar ao sol e resfriar-se na sombra, alguém pra compreender e fazer sentir o quanto o amor é infinitamente importante a dois. Senhor, sei que a vida não é justa, e que haverá outras encarnações pra desfrutar, mas seria de extremo mau gosto fazer desse poeta um fantasma vivo, e dar-me apenas a missão de atravessar noites vagando em úteros, declamando falsos amores que de nada servem, além de enegrecer meus versos, apagando esse Luís que ascende e ascendendo o Luís que se apaga, confinando em sentimentos melancólicos o artista, pintando o sol de preto, sufocando a criança em minha alma, talvez, o Senhor seja surdo e analfabeto, ou tão triste quanto eu agora, mas sei que a felicidade existe, esses dias tive a comprovação quando vi um casal de velhos se beijarem e iluminarem suas faces enrugadas pelo amor, então Senhor, saiba que não vou desistir, a cada lágrima derramada minha busca fica mais sofrida e não menos honrada, me abrace Senhor, por favor, me abrace Senhor, e proteja meu coração até que eu encontre uma resposta bendita pra essa vida marginal.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
inferno de dante
hoje está tudo estranho...
...depois do ciclone qualquer brisa parece anunciação de catástrofe, têmo pelos meus sentimentos, fico procurando saída nesse labirinto de hipóteses suspensas sobre mim, elas parecem nuvens carregadas que se formam sem pressa, assim, como quem sente prazer em torturar o céu azul, têmo também pelas flores que me parecem ser todas tóxicas ou inodoras, como esse inicio de madrugada sem perfume. Procuro encontrar calma e paz afim de encarar mais uma noite de sono, espero que pelo menos eu não tenha pesadelos quando me encontrar no mundo de universos paralelos, que são os sonhos, dizem que quando se dorme o espírito segue livre por todos os planos, mas essa noite talvez, eu não tenha escapatória, novamente serei levado à reprise sonâmbula de uma alma presa a um corpo que, não sossega os olhos, porque seu coração faz tanto barulho que não se pode dormir, apenas ter visões do silêncio da madrugada sendo violado pelo ronco poluente dos automóveis, visões dos programas chatos, e dos filmes repetidos, visões do céu clareando e da lua se despedindo, das conversas pela manhã em minha calçada, visões de mais uma noite de monólogos com Deus, buscando respostas, tentando controlar a vida que há em mim, e insiste em escapar mundo a fora como uma força da natureza, destruindo tudo que não está preparado para ver a importância que existe no simples fato de poder aproveitar o mundo antes que ele morra, ainda bem que igual ao dia, minha luz também renasce e é maior do que qualquer sombra de dúvida.
domingo, 13 de abril de 2008
mina
você sabe a revelação que vou fazer...
... não gostaria de partir, queria ficar procurando desesperadamente minha alma em seus lábios, vagando em seu olhar de floresta descobri um novo êxtase para meus sentidos, degrau após degrau mais perto de sua companhia, essa música nos embala, torço um cigarro desses que fazem sonhar. Seu circuito fechado de amor está tornando cada vez mais longas minhas declarações, lhe perco na fumaça alucinógena trancafiada em meus pulmões, meu corpo é voluntário dos seus estímulos enlouquecidos, cada vez mais sofríveis as perspectivas de despedida, minha garota em qual cidade encontrarei ouro verde igual ao dos seus olhos.
domingo, 6 de abril de 2008
simples
garotinho azul...
...por onde andam seus calcanhares, novas confissões no fundo de uma gaveta escura que carrega no peito, suas lágrimas não ressecam, suaves batidas soluçando no peito, a noite parece ser a moradia mais segura, ninguém lhe vê ali no ventre dessas coisas apagadas, trazendo nos bolsos as contas de festas mal resolvidas, sempre que alguém tenta me enganar acaba enganando-se, e eu sigo na progressão de gato bípede, ando ao lado das pessoas que confio, apenas você pode me afastar com mentiras, ilusões, e sarcasmo, não quero partir, mas não sigo ninguém, apenas acompanho quem quer estar ao meu lado, talvez você tenha muitos lados, no seu exercito inseguro as armas podem falhar a qualquer disparo, não quero ser mais um de seus soldados entorpecidos, vem comigo pra ilha da fantasia, o lugar onde amanhecem os dias, desarme sua alma pra que eu possa por uma flor em seus cabelos.
sábado, 1 de março de 2008
luz,luz,quero luz
caminhando a só pela cidade...
... vejo meus fantasmas derrotados, não gasto mais meus trocados com eles, agora dependem de outros que os alimentem com drogas, dor, insegurança, medo e álcool, agora, eles andam grudados a outros calcanhares, com suas mãos fortes de unhas sujas, coçando-se como viciados maltrapilhos, pertencem ao complexo mundo do invisível. Mesmo a noite toda eletricidade urbana me favorece, ao contrário dos maus espíritos, me alimento da luz pura ou artificial, o amor não me incomoda mais, o escuro não me conforta, a solidão não me assusta. A lua reflete seu brilho gelado nas estátuas de bronze, calmamente, sigo o tom amarelado das luzes dos postes que, se espalha no asfalto negro recapado, os táxis vermelhos de Porto Alegre são a irrequieta corrente sanguínea das estradas durante a madrugada, sinto meu coração em paz, a distância entre mim mesmo diminuiu, não sou mais submisso aos meus desejos, ando tranqüilo, sei que estou em seus pensamentos também, novo e forte como um suspiro enamorado, quando eu chegar quero deitar sobre teu colo, esquecer o cansaço e tudo que ficou pra trás, a escuridão não nos pertence mais.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
se lá vi (sob a influência)
sinto toda a luz do mundo em mim...
... e fico assim, paralisado por alguns instantes, mesmo na noite sinto a presença dos espíritos de luz e é com eles que me conecto. Fomos dar uma volta na lua pra ver como somos pequenos lá de cima, pra saber a segurança que nos traz o dia, por que não respeitar e mandar uma mensagem positiva, existem tantas pernas dispostas a derrubar, bocas dispostas a mentir, o sangue de cristo e de outros guerreiros, misturado a chuva evapora pro céu, e vem nos banhar depois do calor, ele não foi derramado em vão, honremos a chuva então. Deus me protege pelas vielas, nunca o ferro pesado de uma arma sem dó, nem dor, pronta pra matar o próximo, sem saber na verdade quem é o inimigo, eu ou você. Confio Nele, hoje evito lugares tão escuros, lugares onde não deixam Deus entrar. Sob o sol meu corpo volta à condição de água, habito nuvens, existem também pingos de mim sobre a pele do chão, sou a natureza de tudo, mate ela e morrerei um pouco também. Guardo a força e as palavras para quem quer sentir, não subestimem os pequeninos é deles o reino dos céus, não deixe que sua criança morra soterrada pelo concreto do mundo, tudo deve ser belo e protegido pela alma, pelo esqueleto. Antes eu era apenas um ponto de luz, hoje também sou o sol pulsante, dentro de mim, pra fora e em todas as direções, experimente também ser assim, basta fechar os ouvidos para o sopro da morte, e aprender com aquilo o que a vida ensina, deixe de lado a noite, sinta a influência do dia.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
pietra
não era amor...
...era um tipo de apego, na falta de sexo uma amizade tristonha, começou espontânea, no vulto meteórico de palavras dislexas, entrega sem zelo, eu continuava a freqüentar sozinho o calor etílico dos mesmos bares, a graça fronte a mim poderia salvar-me, se permanecesse ao meu lado dali por diante, mas minha amante de uma única madrugada ainda repousava em lençóis ensopados de pesadelo. Seus risos falsos rolavam sobre mim como rochas, bloqueando a única saída para meu coração, eu queria ganhar o mundo mesmo em dias nublados, pois, sabia que a grama continuava verde apesar do tempo de tons opacos, no fundo do meu cérebro guardo cores para momentos assim, totalmente cinzas iguais aquela menina de pedra.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
sempre um passo à frente, nunca um passo atrás
sim criança, eu vou lhe dizer o que acontecia enquanto você ainda dormia...
...eu derrotava um demônio pra acordar dentro de um deus a todo instante, e o fluxo não parava, porque, a cidade inteira, o mundo inteiro, tudo estava vivo dentro do mesmo fluxo .Existem lugares seguros e é isso o que você precisa saber, e, é do que você nunca pode duvidar, pois vai lhe salvar a vida, e também existem lugares, coisas, pessoas sobrevivendo da sua energia, e a cidade não para, pois até o concreto é energia viva, ele pode ser um limite ou um começo, tudo depende do que está dentro, nunca fora. Enquanto coisas despertam outras seguem dormindo, é sempre assim criança, e isso tudo está acontecendo enquanto você dorme seu sono drogado, seu sono sedado, seu sono seguro, seu sono de merda, vivendo sua falsa utopia, seu falso delirío. Saiba que existem coisas por debaixo dos seus olhos, espíritos dentro de névoas sugando fumaça e pensando que é apenas ar puro, mas eles ainda estão dormindo. Criança ouça o que eu lhe digo, desperte do seu transe, e descubra que enquanto você pensava que estava lúcido, ou curtindo um barato, era apenas um sonâmbulo chocando-se contra as paredes do mundo, chocando-se com suas leis físicas, suas leis morais, misturado a parte podre dominante, agora, criança, seu corpo pode estar machucado, mas saiba dar valor a cada cicatriz, pois elas não são coisas que lhe ensinar ou algo do que você ouviu falar, não, isso aconteceu, e só você sabe quanto sofrimento lhe custou, enquanto atravessou noites insones, e se você vai saber extrair o riso da dor, isso é o que menos importa, porque o fluxo não lhe dá tempo pra pensar, somente agir, é tudo muito mais rápido do que você possa imaginar, antes você não era nem o pensamento que movia o pião, agora você vive no rei, no galope incontrolável e selvagem da vida, e por estar vivendo e controlando isso você está um passo a frente , ganhou os olhos e a visão completa de predador, porém , isso não lhe dá o direito de matar, lhe dá o direito de manter-se vivo, e não ser mais a presa, por que você está um passo à frente agora, nunca mais um passo atrás, sempre um degrau acima, enquanto os sinos desdobram-se e recolhem os cordeiros, você é o leão e pode sobreviver sozinho a essa selva, sem dogmas, nem religiões ,pois você está ligado no fluxo, vivendo a progressão do fluxo, e no momento em que você recuar apagou-se o guerreiro, interrompeu-se o fluxo, e você volta a ser o menino, a presa, pois, o fluxo segue em frente numa força desconstrutiva , progressiva, incontrolável, e você ficou pra trás preso em seu palácio de espelhos que refletem o monstro medroso que há dentro de você, sempre haverá alguém acordando e alguém dormindo, no entanto, o fluxo não separa quem dorme de quem acorda, muito pelo contrário para ele isso é apenas um mero detalhe que passa desapercebido dentro de sua órbita cósmica sem leis humanas, sem tempo e espaço, ele apenas segue adiante, nunca um passo atrás, sempre um passo a frente, pois para ele, haverão outros corpos, outras almas, enquanto você para o fluxo segue sua progressão. Existem duas coisas o menino e o guerreiro, e, uma material simples e frágil que separa esses dois estados, que é o véu entre você e o controle de você sobre suas emoções, então, já não é mais o que existe lá fora, isso é apenas uma projeção do seu "eu " que está aí dentro, bem no meio e no centro de sua cabeça em frente ao seu nariz, é a progressão, se você vai recuar como menino ou seguir como guerreiro isso é o que menos importa pro fluxo, pois ele dentro de suas sábias dimensões cósmicas segue adiante, sempre um passo à frente, nunca um passo atrás, e isso, é tudo o que eu tenho a lhe dizer criança. Desperte.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
hoje eu sei
a primeira vez...
...em que a vi, era noite, porém, tudo estava claro a sua volta, conversando com um amigo, na esquina de uma igreja. Ela não se parecia com nada do que eu havia visto, com nenhuma garota que eu havia conhecido, ela era uma mistura simples e despreocupada de beleza sem crise, meias sem elástico, roupa enxovalhada, cabelos curtos, e dois olhos que acompanhavam a meia lua de seus lábios. Naquela noite sorrimos muito, risos soltos e chapados, rimos da metade de um rego que aparecia do baixista de uma banda, que tocava sentado, pois era muito gordo, ou muito preguiçoso, as gargalhadas aumentaram quando notamos um homem que parecia um E.T. de tão feio, e ali, perdido entre a loucura das drogas e a divindade de sua presença, vi materializado um alguém que me fez querer o prazer infindo daquela noite, e todas as sensações que provinham de mim partiam da imensa vontade de tornar-me parte de sua história em algum momento, não importando o quando, tudo o que pensei naquela noite estava relacionado a ela, tudo o que senti estava relacionado a ela, e assim foi, na manhã seguinte, e no dia seguinte a essa manhã, completando dias, semanas, o meu “eu” sentia-se incompleto longe do “eu” dela, assim iniciou-se uma época de minha vida onde realidade e fantasia misturaram-se, vivi utopias, sonhei realidades, desde o primeiro beijo, após muito argumento e poesia de minha parte. Sofri como Romeu, amei como Orfeu, descobrindo uma parte em mim tão forte capaz de superar a dor mais triste que foi a dor da alma, ao perdê-la, depois dela aventurei-me por ruas escuras, em bares fui sugado por bocas, corpos, drogas. Sofrimentos me levaram a experiências além da carne, além da morte, além do fundo do poço, mas foi preciso ser assim, e sou agradecido por tudo que vivi, a represa foi rompida, e eu passei a me ver mais no próximo, Deus passou a ser um fluxo continuo em mim, agora, Luciana é minha amiga, nos falamos e me sinto agradecido e novo por tudo o que aprendi com ela, dias desses li em Morangos Mofados ( Caio Fernando Abreu ) “...é comum pessoas se encontrarem, é comum pessoas se separarem...”, hoje eu sei .
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
para uma amiga que sonha na foto
o dia serve de espelho para tua beleza refletindo o dourado de seu corpo ...
... atriz das estrelas, quantos mundos esperam seus atos, um transe profundo que desperta na alma sentimentos cálidos, pela fresta da noite admirei tua luz, enquanto o sol se punha a trás da minha cabeça. Tua anatomia forte é natural de mulher maravilha, te elevando à condição de rainha mais próspera das amazonas, não peço nada em troca além de flertes, e um pouco de magia, releia minhas palavras, elas são como pétalas levemente distribuídas sobre sua áurea rósea, sei que os astros também envelhecem, mas o teu ciclo divino prevalece, rejuvenescendo tudo que envolve tua luz.
o diamante do oceano
ruas molhadas, céu fechado...
...hoje o sol está de ressaca, as gotas de chuva parecem lágrimas santas cobrindo meu corpo, sinto na boca um gosto pesado de passado, é um sabor cítrico de despedida, estou com os pés encharcados e isso pouco importa, preciso apagar o fogo contido em meus olhos, atravesso as ruas com cuidado,preservando assim o pouco de vida que ainda me resta. Ressoam dentro do meu crânio gargalhadas, atrás do meu globo ocular vultos finos como fumaça, silhuetas de mulheres, sedutoras assombrações me cercam nas primeiras horas da manhã, o lixo acumulado fora e dentro de mim evidência uma limpeza urgente, meu coração geme, meu estômago ronca, minha alma foi esquecida, talvez, no meio de alguma dessas coxas mudas que roçaram minhas costelas, cruzadas em minha espinha desde a adolescência, creio ter sido homem ainda na meninice, por isso, vez em quando me sinto um velho, usando a pele de um jovem, porém, dentro de mim a criança perdida ainda vaga de mãos dadas com Deus, procurando refugio, expelindo drogas, recusando infernos, visitando paraísos. Meus sentidos aguçados deram-me experiência o bastante para raciocinar como predador, seduzir a caça, saciar a fome, lamber os ossos... no reino do qual fujo agora, o quanto se pode acumular de vitimas é tudo o que vale, até notar numa manhã chuvosa, sentado a mesa, esperando o almoço em uma lancheria da cidade, enquanto seus amigos ainda dormem, que estou só e cercado de presas por todos os lados, meus olhos em brasa miram a porta aberta, enquanto um oceano cai lá fora, meu coração geme, meu estômago ronca, e pergunto a mim mesmo “onde diabos deixei minha alma”.
o amor
um deus beberrão...
... deu carne e ossos ao amor, alma ele já possuía, e foi só espalhar o boato pelo universo que, todo o ser vivo começou a procurá-lo, desde que sentiu seu coração bater nunca mais teve sossego, e, quando alguém o encontrava ficava espantado, porque ele não tinha face, nem era bonito, era apenas o amor. Alguns ficavam furiosos “-durante minha vida inteira eu o procurei, e quando o encontro não é nada do que eu tinha sonhado”, como se o amor tivesse obrigação de ser alguma coisa, outros choravam por não saber o que dizer, tentavam prendê-lo, fugiam com medo dele, julgavam-no como se fossem juízes da verdade. Uma vez teve um homem que tentou sufocá-lo com um saco preto, por pouco não o mataram, cravaram-lhe as unhas tentando rasgar sua pele, pois só tinham amor no sofrimento. Ele jamais imaginou sentir-se assim, um bem tão material, e de tão triste o amor cansou-se de amar pela primeira vez. Ninguém entendia que ele não era mais nada além de puro sentimento de libertação, o amor era infinito demais para estabelecer limites ou ser puro e desejo, o amor é o velho dom de saber perdoar, e vem para nos ensinar que, não importa a distância que nos separa dele na impermanência dos dias, afinal como disse o filósofo um dia “o tempo só existe para aquilo que não dura”.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
homenagem para um homem chamado caio
Os morcegos calaram-se ...
... o sótão está vazio, não vejo mais telhados nem pombas frente a minha janela, tudo o que vejo são espectros iguais a mim, corações profundamente cansados, almas que procuram abrigo num paraíso ainda não descoberto, reencontro amigos, antigos amores, nenhuma assombração me assusta, não é necessário óculos, minha visão está perfeita, aqui os morangos não mofam, não há enjôo, o perfume das flores serve como balsamo, sinto apenas saudades daquilo que um dia fui e ninguém soube compreender, mas ainda volto e cruzarei as mesmas ruas de memórias esquecidas, voltarei porque todo o amor que tenho em mim não se resume a uma vida.
dezoito
o assassino chega de repente...
...ninguém sabe de onde ele veio, porém, está ali, abrindo as portas douradas, rapidamente , corro para a rua, as nuvens passam, correm por cima da minha cabeça como se fossem rochas flutuantes, os cavalos disparam no campo aberto e enquanto fugirem do inevitável nunca serão livres. A mente fica confusa, uma sinfonia melancolicamente incessante anuncia o fim, trabalhadores choram sobre o concreto derramado, só agora perceberam que enterraram suas vidas em troca de suborno, e a velha canção não para tuuuuummmm, tatatatatatatatata, tim,tim,fazem as taças transbordando cólera, cada vez mais rápidas. O assassino sussurra logo atrás de sua orelha "- a morte está vindo, é inútil temer, esperei anos pra lhe dizer isso", nesse instante igual um animal ferido a vida grane. Tropeço no calcanhar de Aquiles, caio, assustadoramente confortável no lamaçal, atolo a cara, ergo a cabeça, algo em torno de 07 cm do solo, vômito o almoço, mas não posso ficar assim por muito tempo, mesmo sendo agradável, então levanto, saio apavorado, tonto, babando compulsivamente, alucinado, olho pra trás, o assassino vem tocando um violino, sangrando, entrando de peito aberto nos espinhos, com um sorriso de trovão, esbanjando eletricidade, estou confuso, com tesão pela vida, é tanta excitação que acontece um orgasmo inesperado, looonnnngggggoooo, sorrio, lentamente abrindo a boca, um sorriso largamente rosa. Nesse momento impar, começa a chuva, suas gotas parecem gafanhotos, milhões de insetos, abro os olhos e vejo Deus montado num raio que, no céu abre três pontas, nunca mais esqueci o gosto gelado proveniente de sua respiração, nem da sua, eu te amo, quinta-feira, 22 hrs.
encruzilhada
ela subiu correndo a escadaria do prédio...
...e disse que não queria mais me ver, estou sentado num bloco amarelo de concreto, embaixo da janela do apartamento de sua amiga. A estrada novamente se faz abismo, o céu se cobre de um cinza tão vivo que eu nunca havia visto, meu peito transborda um sangue sem vida encharcando a camisa, o corpo inteiro petrifica na lembrança da tua despedida, Senhor, o quanto é penoso morrer de frio na encruzilhada do seu próprio destino, que de tanto amor pode se tornar martírio.
gasômetro
acordei as seis ...
...só para ver as primeiras chamas de luz, é ano novo na lua, enquanto eles destroem a Terra, eu habito estrelas, pessoas chegam a todo instante com seus sorrisos felizes, vi um homem carregar o sol no peito falando bobagens, agora os carros tentam trancar meu caminho, cães pretos, agora os carros estão abrindo meus caminhos, jardins de cactos na rua do arvoredo, meninas caminham sem dono, folhas de papel colorido, pães, senhoras andando nas calçadas e em suas pedras regadas a mijo, mensagens surgem psicografadas em muros, não acredito que pisar na merda seja sorte, os ratos morriam ao tocar a grama, eu registrava o sol na íris.
quando o verão chegar
denso e forte no começo...
...como se fosse aquilo que faz você viver,é tudo muito novo, não se tem quase controle, depois o tempo e a incompreensão tornam a mais bela das formas em algo fino e fraco, capaz de morrer com apenas um milimétrico corte ,já que, agora não há mais coágulos, tampouco coagulantes, é sangue puro vertendo no peito, mas a rubra tormenta teima em esguichar por entre os dedos, até que, após horas de incessante luta,o coração descansa,sem coragem de bater. Então você ajeita o suéter, de maneira que cubra as cicatrizes, emudece, durante um tempo, não adianta falar se ninguém entendi, é menos doloroso ficar assim, com o nível insuficiente de sangue, preservando as veias, usando o frio como desculpa pra justificar esse gelo no peito, e quando o verão chegar.
quimicalice
estava sentado no sofá...
...aquele com estampas de gira-sol,pois é, permanecia ali, quando ao meu lado surgiu o coelho de Alice, sentado no braço do sofá, sem falar nada, abriu sua pequenina pata de palma rosada, sério,ofereceu-me uma pílula que sorria pra mim, sem pensar catei a guloseima e a engoli sem água. Portas abrindo, cores explodindo, pessoas falando uma língua que ninguém entendia, era sem dúvidas o país das maravilhas, olhei para a copa de uma árvore, e quem estava escondido, resmungando, aquele gato chato, falando pelos cotovelos, apesar da vertigem subi até o alto, quando ele me viu pronunciou algumas palavras ouvi tudo, depois, empurrei-o lá de cima, e descobri que nem todo gato cai de pé,pronto, matei o animal inventado mais chato do mundo (seja qual for esse mundo). Não demorou muito pra fantasia detectar o “intruso” em seu habitat perfeito, então, alguém me ajuda a fugir, prende minha mão e me suga com a boca para o infinito, fios dourados passam pelo meu rosto, banham-se em meu suor, acho que virei príncipe, só não entendo em qual momento perdemos nossas roupas, ela derrete como sorvete de creme em cima da cama, e o creme sobre os lençóis de morango, quem não gostaria de derreter com Alice durante mais de cinco horas, estive fora de mim e dentro dela pelo menos duas horas, experimentando o sabor das cores que inventamos, e quando voltei, ao meio dia, havia resgatado Alice confortavelmente entre meus braços.
noite
não chego a conclusão nenhuma sobre o que penso...
...minha mente não se encontra, o juízo final passou, tenho estiletes e flores sobre a mesa, qual deles escolher, não sei, não sei, um dia quente cheio de dúvidas, tenho revirado noites dentro de mim, meus sonhos não me deixam dormir, talvez ela tenha idéias mais exatas do que é a vida, talvez ela não converse com as paredes, nem se esconda dentro das orquídeas, ou confabule planos com o jardim. Tenho estiletes e flores sobre a mesa, qual cheirar, não sei, não sei, não chego a conclusões sobre o que penso, tento pacificar minha mente imaginado aquilo que não tem como saber, talvez essa noite e durma pra sempre.
teatro a luz da lua
a noite chegou...
...ruas inabitadas, bancos de praças vazios, silencio, luzes acesas, céu apagado, tudo inspira cuidado e perigo. A existência das coisas agora é repleta de segredos, o inesperado pode acontecer a qualquer instante, mulheres sem par iludem espelhos em seu ritual milenar, homens preparam o fundo de suas gargantas para os primeiros goles de álcool em seu ritual diário, a fome da alma desperta ansiosa o ócio não é mais pecado, não há mais pecado, somente desejos a flor da pele. O viciado flerta com mais uma droga desconhecida, a menina encanta-se com as juras de um amor eterno sob a luz cálida da lua, nada mais é o que parece,, os atores fantasmas foram libertos.
o dia da graça
espero o dia da graça...
...no sonho da calmaria comum a todos os seres, se não encontra beleza em meu vôo, sigo sozinho como anteontem, como os olhos saudosamente sedados, minha sombra me afaga nesses dias em que o sol não esquenta, apenas ilumina, vidas vazia que a pouco dormiam. Minha cidade parece viver na véspera de um grande acontecimento, numa vida regrada sem esplêndido futuro, distraídos brindam a morte a cada churrasco de domingo, nesse imenso campo de almas adormecidas a dor serve como limite. Fábricas , tele-jornais, novelas, para eles Deus não passa de uma personagem com cabelo e barba branca.
vermelho
ouço passos pela casa...
... ouço a morte do teu apego sussurrando e lambendo meu ouvido, nesse transe maculado, sobre os seios da virgem, dentro de sua carne quente, no fundo de seu corpo macio e perfumado, enraízo minhas mãos na tua nuca, brotam por entre chumaços de cabelos meus dedos, o sofrimento da tua alma, evapora, me entorpece, tenho plena consciência de que minha energia dissipa-se em teu gozo estendido, sou exílio entre tuas pernas que me aprisionam, seduzido por teus gemido inexperiente, gravo meus caninos em teus mamilos, nosso amor é sofrimento e morte, pois somos vampiros.
superficial
vou transar...
...com uma peruca, casar-me com uma manequim de vitrine, bonecas infláveis são garotas de programa, odeio cheiro de látex, prefiro cola, apesar de usar tênis.
despedida poética á estrela uruguaia
. sentado no meio fio da calçada...
...avistava a alvorada escura, espessa, levitando sobre a grama no espírito da geada, eu carregava mágoa e álcool na alma, além de frio, muito frio no corpo. Raios de sol feito serpentes destilavam veneno no firmamento, quanto medo tive ao estar quinze dias morto, num desencontro de mim mesmo, cada vez que o sono chegava, era um sono eterno de quase morte, convulso choro contido de lágrimas infindas, enquanto minha mente dissolvia lembranças, vivi a dor na falência da esperança, e a cada segundo um palmo de céu e terra sobre meu ser, e a cada dia, um dia longe de mim. Sei que ela ainda me espera, , com um amor pulsante em braços e o sexo em chamas sob as vestis, no meio de suas pernas finas e flexíveis, porém, a certeza me feri, e por mais que ela espere, eu nunca voltarei
ex- máquina ou luz negra
eu vi o céu...
... como um imenso mar escuro afogando a lua, às estrelas alçadas sobre minha cabeça eram apenas luminárias, e o universo resumido em olhos cansados, derramaram nos meus a fé no hoje, realmente o tempo não para, o tempo não regressa, o tempo não cura, o tempo só existe para aquilo que não dura, e mesmo que tenha sido sem querer a pressa imposta aos fatos, não trato meus dias com interesses eternos, receio não dispor de tantas horas, para isso, existe um Deus dissolvido em acasos, e na loucura dos meus achados, tua cabeça iluminada encontra repouso em meu ombro de ossos ocos, enquanto finjo não ver você procurar, discretamente, sua beleza no útero vazio do espelho, somos quase crianças, agora, sem os disfarces da idade, e no fim de uma infantil nota musical, perdida, num vagão sem gravidade,moedas voam dos bolsos, nada mais pode ser comprado, nosso diálogo segue um ritmo descompassado entre estações e transes divinos, você procura no ontem algo que ainda nos una, porém, como eu disse naquela tarde com um final de boa sorte, se existe algo que não sou é passado, sou a progressão de uma força natural, mesmo quando derrotado, caio de pé igual os gatos, sinto imensamente não necessitar mais me esconder em teu mundo tristemente ensolarado, pois descobri numa dessas madrugadas sem fim, que, sou Del Fuego um ser que brilha no escuro.