tenho escrito compulsivamente...
...tentando livrar-me de meus próprios pensamentos, talvez reencontrá-los de uma forma estática presos ao papel, de alguma maneira me conforte, me liberte, pois sei que o entendimento alheio vai desgastar as palavras, corroer a idéia central, julgar o personagem, até esquecer das coisas sem sentido que aparentemente escrevo, mas no meio desse realismo fantástico estão minhas vísceras expostas, minha alma explicita, fico assim, distraindo o tempo, hipnotizado pelo som da chuva, lembrando do sol que essa semana fez visita de médico, com sua boca ainda queimando na minha, feito bebida forte, seu corpo retorcido feito nota solta de jazz, fechada nas palmas de minha mão, isso é fantástico, ou seria realismo, não tem problema eu só escrevo pra me livrar dessa maldição de eternizar os dias pra novamente esquecê-los, meus textos são um arranhão de lobisomem, alguns estraçalham sua garganta, outros lembram o lado humano e tornam-se aberrações inofensivas, como uma canção francesa que de tanto amor chega a desfigurar-se, jurando sua devoção no leito do último suspiro, um amor brega, igual ao do fronha ( um sujeito que morava perto da minha casa ) por aquela puta gorda e feia, nossa!, vai entender o que leva alguém a amar outro alguém tanto assim, ainda mais sendo um alguém como ela, puta gorda e feia, enfim, ele tomou um litro de whisky "vagabundo", subiu no banquinho e pulou com a corda no pescoço, o fronha amava mais a puta gorda e feia, mais do que a si, mais do que a filha dele, não que putas gordas e feias não devam ser amadas, só acho que ninguém deve morrer por amor, deve-se viver por amor, isso é realismo, ou isso é fantástico, e no copo que ele bebeu com a morte as moscas não pousaram, porém o corpo dele foi encontrado sete dias depois, putrefato, com a língua arrastando no chão, roxo, rosa, grená e branco decomposição, essas eram as cores que vibravam nele, eu fotografei na memória, fotografei as veias, os vasos capilares capilares espalmadas sob a pele dele, e as hemorragias ainda coagulavam, ele ainda estava quente, vivo, apenas apodrecendo, esqueceu de acordar, de levantar, de deitar, de dormir, de sofrer, de sorrir, fez com que tudo parasse, agora, sua alma é feita de morfina, sem precisar pagar para ver, sem precisar pagar para fazer, sem precisar pagar para entrar, sair sem ser visto, seu espectro ainda persegue e ama aquela puta gorda e feia, entendeu por que te prendo no labirinto do realismo fantástico, é só pra dizer que se ele continuou amando mesmo depois de morrer, então por que ele não continuou vivendo, afinal, eu poderia lhe apresentar putas bem melhores para se amar.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
pra te deixar com um sorriso no canto da boca
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