meia-noite e vinte e sete...
... e o sono não vem, tento não lembrar dos pesadelos, sob os lençóis regressões de um menino muito fechado, talvez a chave tenha sido perdida, e não haja mais ninguém jogando limpo, porém, peixes não são dóceis, escapam fácil, muito, muito fácil, engolindo anzóis, sigo contra a maré, no fundo do oceano a sereia e todos seus marujos, sobraram apenas os esqueletos, corais se formam no ossos e atraem novos pescadores, ela acordou-me com seu canto suicida ontem de madrugada, não havia ninguém pra fechar meus olhos depois, fiquei confuso, o incenso ainda aceso afastava os maus espíritos, enquanto o passado enfiava suas mãos geladas por dentro da minha camisa, problemas, problemas, existem histórias que gostaria de cantar, meus cabelos ainda não seacram, estou perdido no tempo-espaço, o sol tem estado muito fraco, raquítico, semana passada ele alimentou a terra tão pouco, observei que você não lembrava o que tinha me dito, apenas tomava seus comprimidos, só consigo ler seus lábios em braile, fique longe dos problemas, estou me despedindo, esse foi o último pesadelo que tive contigo, minha amiga disse que posso aparecer a qualquer hora do dia ou da noite, ela terá uma vela pra clarear meu caminho, reze toda vez que acontecer isso, seu amor me quer por perto, sempre há um perdão novo saindo de sua goela, seus toques sempre são espertos, ela me disse pra eu não me apegar a nada que seja feito de concreto, e pra não ter dividas com meu coração, em outro momento alguém que já me abandonou, estende sua mão, eu ainda tenho medo, eu ainda tenho medo, seus dedos podem me soltar novamente, ela escolhe todos e ninguém recusa sua companhia, viciante como heroína, vou manter meus braços de ouro afastado de seu corpo, tenho nadado, tenho seguido, tenho estado, nascido e morrido, mas não tenho pertencido a mais ninguém que me ofereça apenas metade dos seus sentidos, nem mesmo amigos, são uma e quatro da madrugada e ainda estou acordado por causa disso.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
pesadelos a flor da pele ou noite de verão
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