terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

o amor

um deus beberrão...
... deu carne e ossos ao amor, alma ele já possuía, e foi só espalhar o boato pelo universo que, todo o ser vivo começou a procurá-lo, desde que sentiu seu coração bater nunca mais teve sossego, e, quando alguém o encontrava ficava espantado, porque ele não tinha face, nem era bonito, era apenas o amor. Alguns ficavam furiosos “-durante minha vida inteira eu o procurei, e quando o encontro não é nada do que eu tinha sonhado”, como se o amor tivesse obrigação de ser alguma coisa, outros choravam por não saber o que dizer, tentavam prendê-lo, fugiam com medo dele, julgavam-no como se fossem juízes da verdade. Uma vez teve um homem que tentou sufocá-lo com um saco preto, por pouco não o mataram, cravaram-lhe as unhas tentando rasgar sua pele, pois só tinham amor no sofrimento. Ele jamais imaginou sentir-se assim, um bem tão material, e de tão triste o amor cansou-se de amar pela primeira vez. Ninguém entendia que ele não era mais nada além de puro sentimento de libertação, o amor era infinito demais para estabelecer limites ou ser puro e desejo, o amor é o velho dom de saber perdoar, e vem para nos ensinar que, não importa a distância que nos separa dele na impermanência dos dias, afinal como disse o filósofo um dia “o tempo só existe para aquilo que não dura”.

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