segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

se lá vi (sob a influência)

sinto toda a luz do mundo em mim...


... e fico assim, paralisado por alguns instantes, mesmo na noite sinto a presença dos espíritos de luz e é com eles que me conecto. Fomos dar uma volta na lua pra ver como somos pequenos lá de cima, pra saber a segurança que nos traz o dia, por que não respeitar e mandar uma mensagem positiva, existem tantas pernas dispostas a derrubar, bocas dispostas a mentir, o sangue de cristo e de outros guerreiros, misturado a chuva evapora pro céu, e vem nos banhar depois do calor, ele não foi derramado em vão, honremos a chuva então. Deus me protege pelas vielas, nunca o ferro pesado de uma arma sem dó, nem dor, pronta pra matar o próximo, sem saber na verdade quem é o inimigo, eu ou você. Confio Nele, hoje evito lugares tão escuros, lugares onde não deixam Deus entrar. Sob o sol meu corpo volta à condição de água, habito nuvens, existem também pingos de mim sobre a pele do chão, sou a natureza de tudo, mate ela e morrerei um pouco também. Guardo a força e as palavras para quem quer sentir, não subestimem os pequeninos é deles o reino dos céus, não deixe que sua criança morra soterrada pelo concreto do mundo, tudo deve ser belo e protegido pela alma, pelo esqueleto. Antes eu era apenas um ponto de luz, hoje também sou o sol pulsante, dentro de mim, pra fora e em todas as direções, experimente também ser assim, basta fechar os ouvidos para o sopro da morte, e aprender com aquilo o que a vida ensina, deixe de lado a noite, sinta a influência do dia.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

pietra

não era amor...

...era um tipo de apego, na falta de sexo uma amizade tristonha, começou espontânea, no vulto meteórico de palavras dislexas, entrega sem zelo, eu continuava a freqüentar sozinho o calor etílico dos mesmos bares, a graça fronte a mim poderia salvar-me, se permanecesse ao meu lado dali por diante, mas minha amante de uma única madrugada ainda repousava em lençóis ensopados de pesadelo. Seus risos falsos rolavam sobre mim como rochas, bloqueando a única saída para meu coração, eu queria ganhar o mundo mesmo em dias nublados, pois, sabia que a grama continuava verde apesar do tempo de tons opacos, no fundo do meu cérebro guardo cores para momentos assim, totalmente cinzas iguais aquela menina de pedra.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

sempre um passo à frente, nunca um passo atrás

sim criança, eu vou lhe dizer o que acontecia enquanto você ainda dormia...

...eu derrotava um demônio pra acordar dentro de um deus a todo instante, e o fluxo não parava, porque, a cidade inteira, o mundo inteiro, tudo estava vivo dentro do mesmo fluxo .Existem lugares seguros e é isso o que você precisa saber, e, é do que você nunca pode duvidar, pois vai lhe salvar a vida, e também existem lugares, coisas, pessoas sobrevivendo da sua energia, e a cidade não para, pois até o concreto é energia viva, ele pode ser um limite ou um começo, tudo depende do que está dentro, nunca fora. Enquanto coisas despertam outras seguem dormindo, é sempre assim criança, e isso tudo está acontecendo enquanto você dorme seu sono drogado, seu sono sedado, seu sono seguro, seu sono de merda, vivendo sua falsa utopia, seu falso delirío. Saiba que existem coisas por debaixo dos seus olhos, espíritos dentro de névoas sugando fumaça e pensando que é apenas ar puro, mas eles ainda estão dormindo. Criança ouça o que eu lhe digo, desperte do seu transe, e descubra que enquanto você pensava que estava lúcido, ou curtindo um barato, era apenas um sonâmbulo chocando-se contra as paredes do mundo, chocando-se com suas leis físicas, suas leis morais, misturado a parte podre dominante, agora, criança, seu corpo pode estar machucado, mas saiba dar valor a cada cicatriz, pois elas não são coisas que lhe ensinar ou algo do que você ouviu falar, não, isso aconteceu, e só você sabe quanto sofrimento lhe custou, enquanto atravessou noites insones, e se você vai saber extrair o riso da dor, isso é o que menos importa, porque o fluxo não lhe dá tempo pra pensar, somente agir, é tudo muito mais rápido do que você possa imaginar, antes você não era nem o pensamento que movia o pião, agora você vive no rei, no galope incontrolável e selvagem da vida, e por estar vivendo e controlando isso você está um passo a frente , ganhou os olhos e a visão completa de predador, porém , isso não lhe dá o direito de matar, lhe dá o direito de manter-se vivo, e não ser mais a presa, por que você está um passo à frente agora, nunca mais um passo atrás, sempre um degrau acima, enquanto os sinos desdobram-se e recolhem os cordeiros, você é o leão e pode sobreviver sozinho a essa selva, sem dogmas, nem religiões ,pois você está ligado no fluxo, vivendo a progressão do fluxo, e no momento em que você recuar apagou-se o guerreiro, interrompeu-se o fluxo, e você volta a ser o menino, a presa, pois, o fluxo segue em frente numa força desconstrutiva , progressiva, incontrolável, e você ficou pra trás preso em seu palácio de espelhos que refletem o monstro medroso que há dentro de você, sempre haverá alguém acordando e alguém dormindo, no entanto, o fluxo não separa quem dorme de quem acorda, muito pelo contrário para ele isso é apenas um mero detalhe que passa desapercebido dentro de sua órbita cósmica sem leis humanas, sem tempo e espaço, ele apenas segue adiante, nunca um passo atrás, sempre um passo a frente, pois para ele, haverão outros corpos, outras almas, enquanto você para o fluxo segue sua progressão. Existem duas coisas o menino e o guerreiro, e, uma material simples e frágil que separa esses dois estados, que é o véu entre você e o controle de você sobre suas emoções, então, já não é mais o que existe lá fora, isso é apenas uma projeção do seu "eu " que está aí dentro, bem no meio e no centro de sua cabeça em frente ao seu nariz, é a progressão, se você vai recuar como menino ou seguir como guerreiro isso é o que menos importa pro fluxo, pois ele dentro de suas sábias dimensões cósmicas segue adiante, sempre um passo à frente, nunca um passo atrás, e isso, é tudo o que eu tenho a lhe dizer criança. Desperte.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

hoje eu sei

a primeira vez...

...em que a vi, era noite, porém, tudo estava claro a sua volta, conversando com um amigo, na esquina de uma igreja. Ela não se parecia com nada do que eu havia visto, com nenhuma garota que eu havia conhecido, ela era uma mistura simples e despreocupada de beleza sem crise, meias sem elástico, roupa enxovalhada, cabelos curtos, e dois olhos que acompanhavam a meia lua de seus lábios. Naquela noite sorrimos muito, risos soltos e chapados, rimos da metade de um rego que aparecia do baixista de uma banda, que tocava sentado, pois era muito gordo, ou muito preguiçoso, as gargalhadas aumentaram quando notamos um homem que parecia um E.T. de tão feio, e ali, perdido entre a loucura das drogas e a divindade de sua presença, vi materializado um alguém que me fez querer o prazer infindo daquela noite, e todas as sensações que provinham de mim partiam da imensa vontade de tornar-me parte de sua história em algum momento, não importando o quando, tudo o que pensei naquela noite estava relacionado a ela, tudo o que senti estava relacionado a ela, e assim foi, na manhã seguinte, e no dia seguinte a essa manhã, completando dias, semanas, o meu “eu” sentia-se incompleto longe do “eu” dela, assim iniciou-se uma época de minha vida onde realidade e fantasia misturaram-se, vivi utopias, sonhei realidades, desde o primeiro beijo, após muito argumento e poesia de minha parte. Sofri como Romeu, amei como Orfeu, descobrindo uma parte em mim tão forte capaz de superar a dor mais triste que foi a dor da alma, ao perdê-la, depois dela aventurei-me por ruas escuras, em bares fui sugado por bocas, corpos, drogas. Sofrimentos me levaram a experiências além da carne, além da morte, além do fundo do poço, mas foi preciso ser assim, e sou agradecido por tudo que vivi, a represa foi rompida, e eu passei a me ver mais no próximo, Deus passou a ser um fluxo continuo em mim, agora, Luciana é minha amiga, nos falamos e me sinto agradecido e novo por tudo o que aprendi com ela, dias desses li em Morangos Mofados ( Caio Fernando Abreu ) “...é comum pessoas se encontrarem, é comum pessoas se separarem...”, hoje eu sei .

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

para uma amiga que sonha na foto

o dia serve de espelho para tua beleza refletindo o dourado de seu corpo ...

... atriz das estrelas, quantos mundos esperam seus atos, um transe profundo que desperta na alma sentimentos cálidos, pela fresta da noite admirei tua luz, enquanto o sol se punha a trás da minha cabeça. Tua anatomia forte é natural de mulher maravilha, te elevando à condição de rainha mais próspera das amazonas, não peço nada em troca além de flertes, e um pouco de magia, releia minhas palavras, elas são como pétalas levemente distribuídas sobre sua áurea rósea, sei que os astros também envelhecem, mas o teu ciclo divino prevalece, rejuvenescendo tudo que envolve tua luz.

o diamante do oceano

ruas molhadas, céu fechado...

...hoje o sol está de ressaca, as gotas de chuva parecem lágrimas santas cobrindo meu corpo, sinto na boca um gosto pesado de passado, é um sabor cítrico de despedida, estou com os pés encharcados e isso pouco importa, preciso apagar o fogo contido em meus olhos, atravesso as ruas com cuidado,preservando assim o pouco de vida que ainda me resta. Ressoam dentro do meu crânio gargalhadas, atrás do meu globo ocular vultos finos como fumaça, silhuetas de mulheres, sedutoras assombrações me cercam nas primeiras horas da manhã, o lixo acumulado fora e dentro de mim evidência uma limpeza urgente, meu coração geme, meu estômago ronca, minha alma foi esquecida, talvez, no meio de alguma dessas coxas mudas que roçaram minhas costelas, cruzadas em minha espinha desde a adolescência, creio ter sido homem ainda na meninice, por isso, vez em quando me sinto um velho, usando a pele de um jovem, porém, dentro de mim a criança perdida ainda vaga de mãos dadas com Deus, procurando refugio, expelindo drogas, recusando infernos, visitando paraísos. Meus sentidos aguçados deram-me experiência o bastante para raciocinar como predador, seduzir a caça, saciar a fome, lamber os ossos... no reino do qual fujo agora, o quanto se pode acumular de vitimas é tudo o que vale, até notar numa manhã chuvosa, sentado a mesa, esperando o almoço em uma lancheria da cidade, enquanto seus amigos ainda dormem, que estou só e cercado de presas por todos os lados, meus olhos em brasa miram a porta aberta, enquanto um oceano cai lá fora, meu coração geme, meu estômago ronca, e pergunto a mim mesmo “onde diabos deixei minha alma”.

o amor

um deus beberrão...
... deu carne e ossos ao amor, alma ele já possuía, e foi só espalhar o boato pelo universo que, todo o ser vivo começou a procurá-lo, desde que sentiu seu coração bater nunca mais teve sossego, e, quando alguém o encontrava ficava espantado, porque ele não tinha face, nem era bonito, era apenas o amor. Alguns ficavam furiosos “-durante minha vida inteira eu o procurei, e quando o encontro não é nada do que eu tinha sonhado”, como se o amor tivesse obrigação de ser alguma coisa, outros choravam por não saber o que dizer, tentavam prendê-lo, fugiam com medo dele, julgavam-no como se fossem juízes da verdade. Uma vez teve um homem que tentou sufocá-lo com um saco preto, por pouco não o mataram, cravaram-lhe as unhas tentando rasgar sua pele, pois só tinham amor no sofrimento. Ele jamais imaginou sentir-se assim, um bem tão material, e de tão triste o amor cansou-se de amar pela primeira vez. Ninguém entendia que ele não era mais nada além de puro sentimento de libertação, o amor era infinito demais para estabelecer limites ou ser puro e desejo, o amor é o velho dom de saber perdoar, e vem para nos ensinar que, não importa a distância que nos separa dele na impermanência dos dias, afinal como disse o filósofo um dia “o tempo só existe para aquilo que não dura”.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

homenagem para um homem chamado caio


Os morcegos calaram-se ...

... o sótão está vazio, não vejo mais telhados nem pombas frente a minha janela, tudo o que vejo são espectros iguais a mim, corações profundamente cansados, almas que procuram abrigo num paraíso ainda não descoberto, reencontro amigos, antigos amores, nenhuma assombração me assusta, não é necessário óculos, minha visão está perfeita, aqui os morangos não mofam, não há enjôo, o perfume das flores serve como balsamo, sinto apenas saudades daquilo que um dia fui e ninguém soube compreender, mas ainda volto e cruzarei as mesmas ruas de memórias esquecidas, voltarei porque todo o amor que tenho em mim não se resume a uma vida.

dezoito

o assassino chega de repente...
...ninguém sabe de onde ele veio, porém, está ali, abrindo as portas douradas, rapidamente , corro para a rua, as nuvens passam, correm por cima da minha cabeça como se fossem rochas flutuantes, os cavalos disparam no campo aberto e enquanto fugirem do inevitável nunca serão livres. A mente fica confusa, uma sinfonia melancolicamente incessante anuncia o fim, trabalhadores choram sobre o concreto derramado, só agora perceberam que enterraram suas vidas em troca de suborno, e a velha canção não para tuuuuummmm, tatatatatatatatata, tim,tim,fazem as taças transbordando cólera, cada vez mais rápidas. O assassino sussurra logo atrás de sua orelha "- a morte está vindo, é inútil temer, esperei anos pra lhe dizer isso", nesse instante igual um animal ferido a vida grane. Tropeço no calcanhar de Aquiles, caio, assustadoramente confortável no lamaçal, atolo a cara, ergo a cabeça, algo em torno de 07 cm do solo, vômito o almoço, mas não posso ficar assim por muito tempo, mesmo sendo agradável, então levanto, saio apavorado, tonto, babando compulsivamente, alucinado, olho pra trás, o assassino vem tocando um violino, sangrando, entrando de peito aberto nos espinhos, com um sorriso de trovão, esbanjando eletricidade, estou confuso, com tesão pela vida, é tanta excitação que acontece um orgasmo inesperado, looonnnngggggoooo, sorrio, lentamente abrindo a boca, um sorriso largamente rosa. Nesse momento impar, começa a chuva, suas gotas parecem gafanhotos, milhões de insetos, abro os olhos e vejo Deus montado num raio que, no céu abre três pontas, nunca mais esqueci o gosto gelado proveniente de sua respiração, nem da sua, eu te amo, quinta-feira, 22 hrs.

encruzilhada

ela subiu correndo a escadaria do prédio...
...e disse que não queria mais me ver, estou sentado num bloco amarelo de concreto, embaixo da janela do apartamento de sua amiga. A estrada novamente se faz abismo, o céu se cobre de um cinza tão vivo que eu nunca havia visto, meu peito transborda um sangue sem vida encharcando a camisa, o corpo inteiro petrifica na lembrança da tua despedida, Senhor, o quanto é penoso morrer de frio na encruzilhada do seu próprio destino, que de tanto amor pode se tornar martírio.

gasômetro

acordei as seis ...
...só para ver as primeiras chamas de luz, é ano novo na lua, enquanto eles destroem a Terra, eu habito estrelas, pessoas chegam a todo instante com seus sorrisos felizes, vi um homem carregar o sol no peito falando bobagens, agora os carros tentam trancar meu caminho, cães pretos, agora os carros estão abrindo meus caminhos, jardins de cactos na rua do arvoredo, meninas caminham sem dono, folhas de papel colorido, pães, senhoras andando nas calçadas e em suas pedras regadas a mijo, mensagens surgem psicografadas em muros, não acredito que pisar na merda seja sorte, os ratos morriam ao tocar a grama, eu registrava o sol na íris.

quando o verão chegar

denso e forte no começo...
...como se fosse aquilo que faz você viver,é tudo muito novo, não se tem quase controle, depois o tempo e a incompreensão tornam a mais bela das formas em algo fino e fraco, capaz de morrer com apenas um milimétrico corte ,já que, agora não há mais coágulos, tampouco coagulantes, é sangue puro vertendo no peito, mas a rubra tormenta teima em esguichar por entre os dedos, até que, após horas de incessante luta,o coração descansa,sem coragem de bater. Então você ajeita o suéter, de maneira que cubra as cicatrizes, emudece, durante um tempo, não adianta falar se ninguém entendi, é menos doloroso ficar assim, com o nível insuficiente de sangue, preservando as veias, usando o frio como desculpa pra justificar esse gelo no peito, e quando o verão chegar.

quimicalice

estava sentado no sofá...
...aquele com estampas de gira-sol,pois é, permanecia ali, quando ao meu lado surgiu o coelho de Alice, sentado no braço do sofá, sem falar nada, abriu sua pequenina pata de palma rosada, sério,ofereceu-me uma pílula que sorria pra mim, sem pensar catei a guloseima e a engoli sem água. Portas abrindo, cores explodindo, pessoas falando uma língua que ninguém entendia, era sem dúvidas o país das maravilhas, olhei para a copa de uma árvore, e quem estava escondido, resmungando, aquele gato chato, falando pelos cotovelos, apesar da vertigem subi até o alto, quando ele me viu pronunciou algumas palavras ouvi tudo, depois, empurrei-o lá de cima, e descobri que nem todo gato cai de pé,pronto, matei o animal inventado mais chato do mundo (seja qual for esse mundo). Não demorou muito pra fantasia detectar o “intruso” em seu habitat perfeito, então, alguém me ajuda a fugir, prende minha mão e me suga com a boca para o infinito, fios dourados passam pelo meu rosto, banham-se em meu suor, acho que virei príncipe, só não entendo em qual momento perdemos nossas roupas, ela derrete como sorvete de creme em cima da cama, e o creme sobre os lençóis de morango, quem não gostaria de derreter com Alice durante mais de cinco horas, estive fora de mim e dentro dela pelo menos duas horas, experimentando o sabor das cores que inventamos, e quando voltei, ao meio dia, havia resgatado Alice confortavelmente entre meus braços.

noite

não chego a conclusão nenhuma sobre o que penso...
...minha mente não se encontra, o juízo final passou, tenho estiletes e flores sobre a mesa, qual deles escolher, não sei, não sei, um dia quente cheio de dúvidas, tenho revirado noites dentro de mim, meus sonhos não me deixam dormir, talvez ela tenha idéias mais exatas do que é a vida, talvez ela não converse com as paredes, nem se esconda dentro das orquídeas, ou confabule planos com o jardim. Tenho estiletes e flores sobre a mesa, qual cheirar, não sei, não sei, não chego a conclusões sobre o que penso, tento pacificar minha mente imaginado aquilo que não tem como saber, talvez essa noite e durma pra sempre.

teatro a luz da lua

a noite chegou...
...ruas inabitadas, bancos de praças vazios, silencio, luzes acesas, céu apagado, tudo inspira cuidado e perigo. A existência das coisas agora é repleta de segredos, o inesperado pode acontecer a qualquer instante, mulheres sem par iludem espelhos em seu ritual milenar, homens preparam o fundo de suas gargantas para os primeiros goles de álcool em seu ritual diário, a fome da alma desperta ansiosa o ócio não é mais pecado, não há mais pecado, somente desejos a flor da pele. O viciado flerta com mais uma droga desconhecida, a menina encanta-se com as juras de um amor eterno sob a luz cálida da lua, nada mais é o que parece,, os atores fantasmas foram libertos.

o dia da graça

espero o dia da graça...
...no sonho da calmaria comum a todos os seres, se não encontra beleza em meu vôo, sigo sozinho como anteontem, como os olhos saudosamente sedados, minha sombra me afaga nesses dias em que o sol não esquenta, apenas ilumina, vidas vazia que a pouco dormiam. Minha cidade parece viver na véspera de um grande acontecimento, numa vida regrada sem esplêndido futuro, distraídos brindam a morte a cada churrasco de domingo, nesse imenso campo de almas adormecidas a dor serve como limite. Fábricas , tele-jornais, novelas, para eles Deus não passa de uma personagem com cabelo e barba branca.

vermelho

ouço passos pela casa...
... ouço a morte do teu apego sussurrando e lambendo meu ouvido, nesse transe maculado, sobre os seios da virgem, dentro de sua carne quente, no fundo de seu corpo macio e perfumado, enraízo minhas mãos na tua nuca, brotam por entre chumaços de cabelos meus dedos, o sofrimento da tua alma, evapora, me entorpece, tenho plena consciência de que minha energia dissipa-se em teu gozo estendido, sou exílio entre tuas pernas que me aprisionam, seduzido por teus gemido inexperiente, gravo meus caninos em teus mamilos, nosso amor é sofrimento e morte, pois somos vampiros.

superficial

vou transar...
...com uma peruca, casar-me com uma manequim de vitrine, bonecas infláveis são garotas de programa, odeio cheiro de látex, prefiro cola, apesar de usar tênis.

despedida poética á estrela uruguaia

. sentado no meio fio da calçada...
...avistava a alvorada escura, espessa, levitando sobre a grama no espírito da geada, eu carregava mágoa e álcool na alma, além de frio, muito frio no corpo. Raios de sol feito serpentes destilavam veneno no firmamento, quanto medo tive ao estar quinze dias morto, num desencontro de mim mesmo, cada vez que o sono chegava, era um sono eterno de quase morte, convulso choro contido de lágrimas infindas, enquanto minha mente dissolvia lembranças, vivi a dor na falência da esperança, e a cada segundo um palmo de céu e terra sobre meu ser, e a cada dia, um dia longe de mim. Sei que ela ainda me espera, , com um amor pulsante em braços e o sexo em chamas sob as vestis, no meio de suas pernas finas e flexíveis, porém, a certeza me feri, e por mais que ela espere, eu nunca voltarei

ex- máquina ou luz negra

eu vi o céu...
... como um imenso mar escuro afogando a lua, às estrelas alçadas sobre minha cabeça eram apenas luminárias, e o universo resumido em olhos cansados, derramaram nos meus a fé no hoje, realmente o tempo não para, o tempo não regressa, o tempo não cura, o tempo só existe para aquilo que não dura, e mesmo que tenha sido sem querer a pressa imposta aos fatos, não trato meus dias com interesses eternos, receio não dispor de tantas horas, para isso, existe um Deus dissolvido em acasos, e na loucura dos meus achados, tua cabeça iluminada encontra repouso em meu ombro de ossos ocos, enquanto finjo não ver você procurar, discretamente, sua beleza no útero vazio do espelho, somos quase crianças, agora, sem os disfarces da idade, e no fim de uma infantil nota musical, perdida, num vagão sem gravidade,moedas voam dos bolsos, nada mais pode ser comprado, nosso diálogo segue um ritmo descompassado entre estações e transes divinos, você procura no ontem algo que ainda nos una, porém, como eu disse naquela tarde com um final de boa sorte, se existe algo que não sou é passado, sou a progressão de uma força natural, mesmo quando derrotado, caio de pé igual os gatos, sinto imensamente não necessitar mais me esconder em teu mundo tristemente ensolarado, pois descobri numa dessas madrugadas sem fim, que, sou Del Fuego um ser que brilha no escuro.