domingo, 10 de março de 2013
Cidade Maravilhosa
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Estamira estrela do dia...
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
três
... procuro um milagre ou um penhasco na falha do cimento, onde eu possa mergulhar e encontrar meu amigo, que foi morar numa caverna, uma trilha com pingos de sangue evidenciam a noite violenta, com essa onda do crack ninguém está mais seguro, a saudade é uma magoa ,dificilmente consegue-se ser positivo o tempo todo, as vezes é só carcaça e dor, mas deve ser assim as vezes, desvendar o aprendizado, nenhuma parte desse mundo parece feliz para mim, uma nova impressão seria aconselhável então...quantos drinks você bebeu ontem a noite antes da despedida com alguém, penso em ligar, mandar recado no orkut, mas acho tão cafona esses relacionamentos virtualmente abertos, parece um daqueles programas sensacionalistas onde todo mundo sabe a vida de todo mundo, a luz do sol ainda está muito alta para procurar uma festa, e até anoitecer eu vou penar no feriado, de um lado para o outro, internet o tempo inteiro enche o saco, ouvi todas minhas musicas do mp3 e continuo caminhando, sem enxergar direção, preciso preservar minha espécie, lagarto no asfalto, fugirei antes que atirem-me tijolos, corro pra dentro de algum esgoto.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
realismo fantástico
... doce, e sua fragrância laranja está em expansão pelo quarto, as cobertas macias e frias em sua superfície, reconheço a matiz da luz pelas persianas, deve ser cedo ainda, não sei quanto tempo dormi, não sei como cheguei, não lembro a cara de quem está ao meu lado, não sei como é a cozinha, não sei como é a sala, sei apenas como é o quarto... médio, branco, espelho frente a os pés da cama ( grande ), penteadeira ( acho que ainda se usa essa expressão ), guarda-roupa com a porta do meio aberta, algumas caixas de sapato pelo chão, duas ou três... pela janela entra um barulho de carros passando lá embaixo, suas costas são bonitas, ombros, pescoço, tudo bem desenhado, uma tatuagem comum na nuca, deslizo pelo lado da cama, carpete, ainda bem... tiro o peso dos meus pés, vou até o outro lado da cama, e fico buscando as lembranças da noite, enquanto miro o rosto de uma desconhecida, tenho a impressão que nasci para amar somente estranhos, tudo acaba quase sempre quando conheço as pessoas, pode parecer pretensão ou que eu esteja indo aos lugares errados, sei lá, não gosto muito de pensar nisso, o meu peito queima e entristece, levanto, vou até o banheiro que fica no quarto, belos azulejos antigos, tudo limpo, calcinha no box, bom! pelos indícios ela parece uma mulher normal, escova rosa, o frasco de perfume com nome estranho e cheiro agradável... lembrei, Helena, cocaína, cerveja, destilados, bairro bomfim , música alta, festa rock, público “GLS”,putz! pelo nosso inicio de história já começo a perder o afeto... se isso fosse uma casa eu saia pela janela, mas quando passo pelo estreito corredor com um pôster dos Stones na parede, abro a porta e olho para o lado de fora, descubro o quinto andar de um prédio,tudo o que posso fazer agora... esperar ela acordar, dar bom dia, pedir que pra abrir a porta, dizer que ligo mais tarde, e com a desculpa que estou atrasado para um almoço com a família,sair e sumir sem perder as esperanças de que o amor aconteça com outra pessoa, sou mais uma vez eu, desafiando os relógios de mais um domingo, sabendo que não terei alegria do seriado dos “Os Trapalhões” ao anoitecer, somente a fantástica mesmice aguardando a segunda-feira.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
rua do amor
... vejo fios dourados cheirando a novidade, ela usou palavras fortes demais, até pra mim que estou acostumado a receber péssimas noticias, caminho como quem está dopado, imerso sob prédios e semáforos, mantendo a calma de um bom perdedor, se ela me visse saberia que, estou me esforçando pra manter as aparências, querida creio que não tenha entendido, não era pra ter misturado-me a seus problemas, era apenas para sermos felizes, não vou mais olhar pra lua, nem atender os pedidos da noite, tranqüilo, cedo ao calor do dia escorrendo pela minha testa, pombas, catarros, velhos navios desfilam numa maré seca, sapatos, tênis, pés descalços, um homem pela metade caminha com as mãos, sorvete, churros, pipoca, que merda de cidade não tem lixeiras, tudo está espalhado pelo chão, como as idéias da maioria dessas pessoas que andam espremidas,ombro contra ombro, dentro de seus horários marcados, formando um corpo chamado multidão, numa terça-feira, eles passeiam com a rotina de seus dias, embrulhada e segura embaixo do sovaco, na sua felicidade estancada pela vidraça das vitrines, são seis e quarenta e dois, o comércio está prestes a fechar, mas sempre terá algo a ser vendido, corações, sentimentos, valores...quando penso nisso tudo,e vejo a lua má refletida no retrovisor do táxi, sinto que estou diminuindo a distância da estrada que leva a mim mesmo, sinto o guarda-chuva molhar minha coxa, e o luminoso de um outdoor evidencia a estética estática...é benzinho, poderíamos ter salvo o mundo, ou pelo menos voltar juntos pra casa.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
le premier bonheur du jour
... mas sempre estou alguma coisa, ciganos não dizem adeus, é debaixo da pele que guardo o verão, resfrio-me no frio da estação, o jazz de divinas notas contorcidas e ritmo esquizofrênico, meus passos enganam meus pés, como vim parar ao lado das suas botas vermelhas, a pouco tempo atrás tentava viajar naquela nuvem azul, andando em linha reta, menos um dia, mais um lugar pra nós dois descansarmos, quanto menos pessoas melhor, quanto menos barulho melhor, retirados das pistas de dança, pegaremos filmes de grandes diretores, mesmo com pouca luz essa noite será bem melhor, quando o amanhã chegar, encontrará nossas falsas peles aquecendo o chão, meu coração de leão só atende sua voz felina. Brinquedos de plástico estão perdidos pelo parque, vamos procurar também, mendigos sonham, um louco canta, tem uma porção de mim voando, outra rolando pelo chão, sua presença me sustenta, a luz do dia lhe deixa ainda mais linda, quase uma alucinação, ouço o pássaro que passeia pela grama, e o doce movimento do céu, até a noite chegar será assim, o sono tem sotaque francês, ele buscou minhas idéias ontem, mas a louça não sabe o caminho da pia, giro,giro, e volto a estar com você, quanta carne sua existe em meus pensamentos, comprei um óculos pra não queimar meus olhos na poluição da cidade, mesmo assim eu não uso, prefiro manter as pupilas alertas, minha primeira alegria venha me visitar algum dia desses, e não se zangue com minha demora, se isso lhe importa, se isso lhe importa, derreta pela última vez comigo, tudo o que escrevo é muito simples, comparado aquilo que não consigo dizer, palavras são símbolos , você as decifra ou elas decifram você, é realmente um processo tão encantador, quanto seu corpo que é um vôo dentro, e fora de minhas mãos, no repouso da fuga o medo da dor, acabamos sendo outros e não nós mesmos.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
pesadelos a flor da pele ou noite de verão
meia-noite e vinte e sete...
... e o sono não vem, tento não lembrar dos pesadelos, sob os lençóis regressões de um menino muito fechado, talvez a chave tenha sido perdida, e não haja mais ninguém jogando limpo, porém, peixes não são dóceis, escapam fácil, muito, muito fácil, engolindo anzóis, sigo contra a maré, no fundo do oceano a sereia e todos seus marujos, sobraram apenas os esqueletos, corais se formam no ossos e atraem novos pescadores, ela acordou-me com seu canto suicida ontem de madrugada, não havia ninguém pra fechar meus olhos depois, fiquei confuso, o incenso ainda aceso afastava os maus espíritos, enquanto o passado enfiava suas mãos geladas por dentro da minha camisa, problemas, problemas, existem histórias que gostaria de cantar, meus cabelos ainda não seacram, estou perdido no tempo-espaço, o sol tem estado muito fraco, raquítico, semana passada ele alimentou a terra tão pouco, observei que você não lembrava o que tinha me dito, apenas tomava seus comprimidos, só consigo ler seus lábios em braile, fique longe dos problemas, estou me despedindo, esse foi o último pesadelo que tive contigo, minha amiga disse que posso aparecer a qualquer hora do dia ou da noite, ela terá uma vela pra clarear meu caminho, reze toda vez que acontecer isso, seu amor me quer por perto, sempre há um perdão novo saindo de sua goela, seus toques sempre são espertos, ela me disse pra eu não me apegar a nada que seja feito de concreto, e pra não ter dividas com meu coração, em outro momento alguém que já me abandonou, estende sua mão, eu ainda tenho medo, eu ainda tenho medo, seus dedos podem me soltar novamente, ela escolhe todos e ninguém recusa sua companhia, viciante como heroína, vou manter meus braços de ouro afastado de seu corpo, tenho nadado, tenho seguido, tenho estado, nascido e morrido, mas não tenho pertencido a mais ninguém que me ofereça apenas metade dos seus sentidos, nem mesmo amigos, são uma e quatro da madrugada e ainda estou acordado por causa disso.