olhos baixos rastejantes sobre a calçada...
... procuro um milagre ou um penhasco na falha do cimento, onde eu possa mergulhar e encontrar meu amigo, que foi morar numa caverna, uma trilha com pingos de sangue evidenciam a noite violenta, com essa onda do crack ninguém está mais seguro, a saudade é uma magoa ,dificilmente consegue-se ser positivo o tempo todo, as vezes é só carcaça e dor, mas deve ser assim as vezes, desvendar o aprendizado, nenhuma parte desse mundo parece feliz para mim, uma nova impressão seria aconselhável então...quantos drinks você bebeu ontem a noite antes da despedida com alguém, penso em ligar, mandar recado no orkut, mas acho tão cafona esses relacionamentos virtualmente abertos, parece um daqueles programas sensacionalistas onde todo mundo sabe a vida de todo mundo, a luz do sol ainda está muito alta para procurar uma festa, e até anoitecer eu vou penar no feriado, de um lado para o outro, internet o tempo inteiro enche o saco, ouvi todas minhas musicas do mp3 e continuo caminhando, sem enxergar direção, preciso preservar minha espécie, lagarto no asfalto, fugirei antes que atirem-me tijolos, corro pra dentro de algum esgoto.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
realismo fantástico
o perfume é novo...
... doce, e sua fragrância laranja está em expansão pelo quarto, as cobertas macias e frias em sua superfície, reconheço a matiz da luz pelas persianas, deve ser cedo ainda, não sei quanto tempo dormi, não sei como cheguei, não lembro a cara de quem está ao meu lado, não sei como é a cozinha, não sei como é a sala, sei apenas como é o quarto... médio, branco, espelho frente a os pés da cama ( grande ), penteadeira ( acho que ainda se usa essa expressão ), guarda-roupa com a porta do meio aberta, algumas caixas de sapato pelo chão, duas ou três... pela janela entra um barulho de carros passando lá embaixo, suas costas são bonitas, ombros, pescoço, tudo bem desenhado, uma tatuagem comum na nuca, deslizo pelo lado da cama, carpete, ainda bem... tiro o peso dos meus pés, vou até o outro lado da cama, e fico buscando as lembranças da noite, enquanto miro o rosto de uma desconhecida, tenho a impressão que nasci para amar somente estranhos, tudo acaba quase sempre quando conheço as pessoas, pode parecer pretensão ou que eu esteja indo aos lugares errados, sei lá, não gosto muito de pensar nisso, o meu peito queima e entristece, levanto, vou até o banheiro que fica no quarto, belos azulejos antigos, tudo limpo, calcinha no box, bom! pelos indícios ela parece uma mulher normal, escova rosa, o frasco de perfume com nome estranho e cheiro agradável... lembrei, Helena, cocaína, cerveja, destilados, bairro bomfim , música alta, festa rock, público “GLS”,putz! pelo nosso inicio de história já começo a perder o afeto... se isso fosse uma casa eu saia pela janela, mas quando passo pelo estreito corredor com um pôster dos Stones na parede, abro a porta e olho para o lado de fora, descubro o quinto andar de um prédio,tudo o que posso fazer agora... esperar ela acordar, dar bom dia, pedir que pra abrir a porta, dizer que ligo mais tarde, e com a desculpa que estou atrasado para um almoço com a família,sair e sumir sem perder as esperanças de que o amor aconteça com outra pessoa, sou mais uma vez eu, desafiando os relógios de mais um domingo, sabendo que não terei alegria do seriado dos “Os Trapalhões” ao anoitecer, somente a fantástica mesmice aguardando a segunda-feira.
... doce, e sua fragrância laranja está em expansão pelo quarto, as cobertas macias e frias em sua superfície, reconheço a matiz da luz pelas persianas, deve ser cedo ainda, não sei quanto tempo dormi, não sei como cheguei, não lembro a cara de quem está ao meu lado, não sei como é a cozinha, não sei como é a sala, sei apenas como é o quarto... médio, branco, espelho frente a os pés da cama ( grande ), penteadeira ( acho que ainda se usa essa expressão ), guarda-roupa com a porta do meio aberta, algumas caixas de sapato pelo chão, duas ou três... pela janela entra um barulho de carros passando lá embaixo, suas costas são bonitas, ombros, pescoço, tudo bem desenhado, uma tatuagem comum na nuca, deslizo pelo lado da cama, carpete, ainda bem... tiro o peso dos meus pés, vou até o outro lado da cama, e fico buscando as lembranças da noite, enquanto miro o rosto de uma desconhecida, tenho a impressão que nasci para amar somente estranhos, tudo acaba quase sempre quando conheço as pessoas, pode parecer pretensão ou que eu esteja indo aos lugares errados, sei lá, não gosto muito de pensar nisso, o meu peito queima e entristece, levanto, vou até o banheiro que fica no quarto, belos azulejos antigos, tudo limpo, calcinha no box, bom! pelos indícios ela parece uma mulher normal, escova rosa, o frasco de perfume com nome estranho e cheiro agradável... lembrei, Helena, cocaína, cerveja, destilados, bairro bomfim , música alta, festa rock, público “GLS”,putz! pelo nosso inicio de história já começo a perder o afeto... se isso fosse uma casa eu saia pela janela, mas quando passo pelo estreito corredor com um pôster dos Stones na parede, abro a porta e olho para o lado de fora, descubro o quinto andar de um prédio,tudo o que posso fazer agora... esperar ela acordar, dar bom dia, pedir que pra abrir a porta, dizer que ligo mais tarde, e com a desculpa que estou atrasado para um almoço com a família,sair e sumir sem perder as esperanças de que o amor aconteça com outra pessoa, sou mais uma vez eu, desafiando os relógios de mais um domingo, sabendo que não terei alegria do seriado dos “Os Trapalhões” ao anoitecer, somente a fantástica mesmice aguardando a segunda-feira.
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