quarta-feira, 30 de julho de 2008

renascença


e tudo se desfaz...

...como uma saudade de alguém que nunca voltará, será inesquecível, numa tarde de domingo, uma nuvem de chuva levando embora até a amizade, junto à poesia que evapora dos depoimentos. O acaso permitirá um dia, quem sabe, que eu nunca mais lhe ache, que eu nunca mais lhe procure, que você nunca mais procure-me, deixando calar, deixando envelhecer, deixando-me longe da sua companhia enganosa, o esquema é esse mesmo, feri-se antes, antecipando a dor de uma das partes, por pura vaidade é mais cômodo ser covarde, diria devendra banhart: - noah é um cowboy, mas quase ninguém sabe.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

carta pra Deus

Senhor, não sei quantas vezes discutimos o assunto, porém...

...acho que essa carta seria uma maneira formal e educada de colocar as coisas em ordem, como bem sabe o Senhor, não foram poucas as vezes que dividi-me entre bocas e sexo de desconhecidas, no intuito de compreender e experimentar sentimentos que beiravam a esquizofrenia, também não foram poucas as vezes nas quais feri pessoas nessa ânsia pessoal que tenho de que as coisas se resolvam o mais rápido possível, mas o imediatismo foi algo que aprendi a controlar com o passar dos anos, assim como o uso abusivo das drogas, hoje sinto-me mais sábio, mesmo com todo o sofrimento que passei em nenhum momento deixei me abater ou desistir, a vida não perdoa os fracos, tudo acontece muito rápido, enfim, na medida com que os astros se movimentam, as noites me encerram, e as manhãs me despertam, rompem-se cicatrizes a cada segundo, descontando minha alegria no acréscimo da dor. Senhor, estou cansado das drogas, estou cansado dos amáveis momentos vazios, cansado da minha cara lavada na frente do espelho, cansado da masturbação a dois, cansado de gozar sozinho dentro de ventres ocos e úmidos, cansado do meu pau murcho e do meu coração vazio depois da transa, cansado de comemorar cada vitória com uma mulher diferente, eu, que nasci poeta e nunca paguei um centavo por buceta nenhuma, sinto-me tristemente rodeado de putas, viciadas em desprezo, talvez Nelson Rodrigues estivesse certo quando disse que, o amor mais barato é o pago. Tento me encaixar nas regras podres desse mundo, tento as reinventar mais simples e puras, e assim a cada hora morre o Luís depravado de antigamente, e nasce um homem novo, que não crê em coisas eternas, que não tem medo do escuro, que reza, que ama tudo profundamente, na medida em que esse Luís ascende, o meu lado mal se apaga, mas o Luís que se ascende parece não caber nesse mundo, parece fadado ao ridículo sentimento de ver bondade nas pessoas, de querer alguém por perto, alguém no qual se pode confiar, alguém pra amar sem apegos, alguém que ligue pra perguntar se o dia de trabalho foi duro, alguém que pergunte se senti sua falta, alguém que sinta minha ausência também, alguém pra fazer amor e sentir-se feliz depois e não culpado, alguém pra queimar ao sol e resfriar-se na sombra, alguém pra compreender e fazer sentir o quanto o amor é infinitamente importante a dois. Senhor, sei que a vida não é justa, e que haverá outras encarnações pra desfrutar, mas seria de extremo mau gosto fazer desse poeta um fantasma vivo, e dar-me apenas a missão de atravessar noites vagando em úteros, declamando falsos amores que de nada servem, além de enegrecer meus versos, apagando esse Luís que ascende e ascendendo o Luís que se apaga, confinando em sentimentos melancólicos o artista, pintando o sol de preto, sufocando a criança em minha alma, talvez, o Senhor seja surdo e analfabeto, ou tão triste quanto eu agora, mas sei que a felicidade existe, esses dias tive a comprovação quando vi um casal de velhos se beijarem e iluminarem suas faces enrugadas pelo amor, então Senhor, saiba que não vou desistir, a cada lágrima derramada minha busca fica mais sofrida e não menos honrada, me abrace Senhor, por favor, me abrace Senhor, e proteja meu coração até que eu encontre uma resposta bendita pra essa vida marginal.