quarta-feira, 29 de outubro de 2008

rua do amor

lua má você não irá mais nascer...
... vejo fios dourados cheirando a novidade, ela usou palavras fortes demais, até pra mim que estou acostumado a receber péssimas noticias, caminho como quem está dopado, imerso sob prédios e semáforos, mantendo a calma de um bom perdedor, se ela me visse saberia que, estou me esforçando pra manter as aparências, querida creio que não tenha entendido, não era pra ter misturado-me a seus problemas, era apenas para sermos felizes, não vou mais olhar pra lua, nem atender os pedidos da noite, tranqüilo, cedo ao calor do dia escorrendo pela minha testa, pombas, catarros, velhos navios desfilam numa maré seca, sapatos, tênis, pés descalços, um homem pela metade caminha com as mãos, sorvete, churros, pipoca, que merda de cidade não tem lixeiras, tudo está espalhado pelo chão, como as idéias da maioria dessas pessoas que andam espremidas,ombro contra ombro, dentro de seus horários marcados, formando um corpo chamado multidão, numa terça-feira, eles passeiam com a rotina de seus dias, embrulhada e segura embaixo do sovaco, na sua felicidade estancada pela vidraça das vitrines, são seis e quarenta e dois, o comércio está prestes a fechar, mas sempre terá algo a ser vendido, corações, sentimentos, valores...quando penso nisso tudo,e vejo a lua má refletida no retrovisor do táxi, sinto que estou diminuindo a distância da estrada que leva a mim mesmo, sinto o guarda-chuva molhar minha coxa, e o luminoso de um outdoor evidencia a estética estática...é benzinho, poderíamos ter salvo o mundo, ou pelo menos voltar juntos pra casa.