sábado, 1 de março de 2008

luz,luz,quero luz

caminhando a só pela cidade...


... vejo meus fantasmas derrotados, não gasto mais meus trocados com eles, agora dependem de outros que os alimentem com drogas, dor, insegurança, medo e álcool, agora, eles andam grudados a outros calcanhares, com suas mãos fortes de unhas sujas, coçando-se como viciados maltrapilhos, pertencem ao complexo mundo do invisível. Mesmo a noite toda eletricidade urbana me favorece, ao contrário dos maus espíritos, me alimento da luz pura ou artificial, o amor não me incomoda mais, o escuro não me conforta, a solidão não me assusta. A lua reflete seu brilho gelado nas estátuas de bronze, calmamente, sigo o tom amarelado das luzes dos postes que, se espalha no asfalto negro recapado, os táxis vermelhos de Porto Alegre são a irrequieta corrente sanguínea das estradas durante a madrugada, sinto meu coração em paz, a distância entre mim mesmo diminuiu, não sou mais submisso aos meus desejos, ando tranqüilo, sei que estou em seus pensamentos também, novo e forte como um suspiro enamorado, quando eu chegar quero deitar sobre teu colo, esquecer o cansaço e tudo que ficou pra trás, a escuridão não nos pertence mais.